Primeiro precisamos definir a traição para poder pensar se o ato de fazer sexo fora do casamento é certo ou errado! É possível conciliar uma relação extraconjugal com o casamento? Difícil responder isso em poucas linhas considerando diferentes opiniões, porém tentaremos pensar em algo que ajude o leitor a formular melhor a sua opinião e, é claro, poder compartilhá-la ao final do texto.
A traição deixa de ser traição quanto nenhuma das partes envolvidas se sente, realmente traída! Isto é óbvio, certo? Ora, a traição não é a ruptura de uma relação a dois, mas a quebra de confiança quando uma das partes faz algo que não é consensual. Pensando assim fica fácil entender o motivo de muitos casais atualmente optarem pelo chamado “casamento aberto”, pois esta é uma tentativa de eliminar futuras frustrações amorosas do relacionamento, assumindo, um para o outro, previamente, as intenções sexuais (sentimentais?).
Os argumentos são de que “ninguém é de ninguém”, afinal, o que é o outro para que eu possa aprisioná-lo a mim? Um objeto? Quem sou eu, para fazer alguém viver em função exclusiva de meus sentimentos? Dizem ainda que os instintos sexuais são naturais a espécie e por isso não haveria qualquer motivo de negá-los, uma vez que sejam para o nosso próprio prazer, melhor ainda quando para o prazer de... todos! Para isso existem casas especializadas em sexo grupal ou também chamadas casa de swings, troca de casais, etc.
Perceba que não estamos mais falando de traição, mas sim de uma nova forma de relacionamento, onde este conceito foi modificado para dar lugar a uma outra compreensão acerca dos sentimentos humanos. Na verdade:
A traição quando é consensual é mais uma maneira de estabelecer um elo de prazer entre uma ou várias pessoas, de forma que as frustrações típicas do relacionamento conjugal possam ser eliminadas e o conceito de traição desapareça.
Para tal, a fidelidade desse tipo de relacionamento não está nas práticas sexuais, mas em algumas condutas sociais, que geralmente servem apenas para preservar a “integridade” moral e social das partes envolvidas.
Esse tipo de relacionamento até pode dissolver o conceito tradicional de traição e mesmo assim permitir a convivência, mas não acredito que favoreça laços afetivos saudáveis, mesmo porque a relação sexual é muito mais do que simplesmente prazer, é uma representação física de sentimentos que vão, ao longo do tempo, sendo construídos mediante a convivência do próprio casal. Ao se colocar como indivíduos fisicamente “livres”, estas mesmas pessoas poderiam, partindo desse mesmo princípio, não querer relações estáveis, uma vez que se julgam não prisioneiras de ninguém. No entanto ao optarem por um tipo de relacionamento onde exista a partilha de sentimentos e experiências diários, isso revela uma necessidade muito maior do que simplesmente prazer sexual, mas que em dado momento é afetada por outras necessidades mal compreendidas a cerca vida, como por exemplo, a liberdade individual do casal.
Na prática, é possível conciliar idéias mediante o consenso do casal, porém esse consenso nem sempre representa as reais necessidades desse casal, mas apenas uma maneira de burlar as suas verdadeiras dificuldades. É dessa forma que inventamos novas culturas, numa tentativa de chegar a um padrão comportamental que favoreça o convívio em sociedade. Por isso também as culturas poligâmicas ainda existentes tentem a desaparecer, pois a monogamia representa uma evolução na compreensão de relacionamento, onde o objeto de interesse e prazer maior não se concentra mais, apenas no homem, mas também na mulher. Uma vez que isso acontece os direitos se tornam iguais, os sentimentos, interesses, são partilhados, e não imputados como maior ou menor poder de um ou de outro.
Em resumo, traição consensual não existe, pois seu próprio significado se perde em meio a essa prática! O que existe são novos conceitos de prazer em convívio com outras pessoas. Mas também nisso não há qualquer aspecto de relação amorosa, mas de interesses e desejos emotivos imediatos. Esse tipo de relação não tem fundamento nos sentimentos e construções afetivas, pois é impossível amar e não querer para si a exclusividade desse amor.
Amor que quando comum a ambas as partes não se aprisiona, mas liberta-se no desejo de serem um, numa mesma carne.
Abraço e até a próxima...
















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